Poemas Mindful - Por favor me chame pelos meus verdadeiros nomes. Tchich Nhat Hahn


Chamem-me pelos meus verdadeiros nomes Não digam que parto amanhã Porque hoje estou ainda chegando.

Olhe bem, a cada instante estou chegando Para vir a ser botão de flor em ramo de primavera Para ser passarinho de asas frágeis Aprendendo a cantar em meu novo ninho, Para ser lagarta na corola da flor, Para ser gema oculta na pedra.

Estou ainda chegando para rir e chorar, Para sentir medo e esperança O ritmo do meu coração é o nascimento e morte De tudo o que vive.

Sou a libélula em metamorfose Em vôo sobre as águas do rio E sou pássaro que se lança ao ar para engolir a libélula.

Sou rã que nada descuidada Nas águas claras da lagoa E cobra que em silêncio se alimenta da rã.

Sou a criança em Uganda, só pele e osso Minhas pernas como gravetos E sou o traficante que vende armas para Uganda.

Sou a jovem púbere Que escapa em uma balsa E que, violentada por um pirata, lança-se ao mar

Mas sou o pirata ainda incapaz de sentir e de amar Minha alegria é como a cálida primavera Que faz florescer toda a Terra. Minha dor é como um rio de lágrimas, Tão vasto que enche os quatro oceanos.

Chamem-me pelos meus verdadeiros nomes, Para que eu possa despertar e enfim escancarar Em meu coração as portas da compaixão.

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